29 de junho de 2009

Erva Daninha

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o sindicato de poesia apresenta
DOZE MESES MENOS UM – RASCUNHO # 6



erva daninha


as palavras das canções de António Variações

no Museu Nogueira da Silva, Braga
no dia 29 de Junho, segunda-feira, às 21h30

com: Arlindo Fagundes, Daniel Pereira, Fernando Coelho, Gaspar Machado, Jorge Rodrigues, Luís Barroso, Neurónios aBariados (DP, Manuel Carvalho, Paulo Fernandes, Rui Fernandes, Vasco Oliveira) e Paulo Pereira

Som: Ana Pereira

Cartaz: Arlindo Fagundes

Fotografia: Manuel Correia

Cúmplice: Eduardo Jorge Madureira

Cúmplice «com vídeo»: Fernando Duarte

Direcção: António Durães

Cumplicidades: Biblioteca Pública de Braga, Velha-a-Branca, Museu Nogueira da Silva, Rádio Universitária do Minho


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A 13 de Junho de 1984, em Lisboa, morria como António Variações, aquele António Joaquim Rodrigues Ribeiro que nasceu a 3 de Dezembro de 1944 em Fiscal, Amares, (embora tenha sido registado só a 6 de Janeiro do ano seguinte).
A notoriedade de Variações não é, não deixando também de o ser, a razão primeira para este recital. Mas quisemos saber, como em tempos já o havíamos feito de forma mais sistematizada com José Afonso (num recital dirigido por Afonso Fonseca), o que é que valiam as palavras das canções de Variações, tantas delas arrancadas à lógica do sound bite, da palavra de ordem, do provérbio popular. E com a mesma paixão com que nos embrechtámos com o poeta alemão, e com que nos envolveremos com os poemas de Lorca, no recital que faremos a seguir, antes de parar para férias, mergulhámos no mundo do Sr. António (como gostava de ser tratado na barbearia), com a reverência que se deve a alguém que prezamos.
As conclusões a que chegámos, estão neste rascunho, o sexto desta série de onze, que nos propomos artesanar este ano.
António Variações tem a magia da margem. Apetece segui-lo nessa viagem solitária, ser a sua sombra na perseguição do sonho que o fez, aos doze anos, sair de Fiscal e arrostar com o desconhecido: ser artista. E a força que resulta desse combate está nas canções que construiu. Sobre esse manancial, com um som construído nessa ponte fantástica por ele arquitectada e que se estendia da Sé de Braga a Nova Iorque, muito já se escreveu e se experimentou.
Mas, e as palavras? O que valem elas despidas das melodias que imediatamente lhes reconhecemos? Sem aquela voz estridente que cantava uma oitava acima de todos os arranha-céus conhecidos, e que se pegam a elas como uma praga, uma espécie de gripe variada, para quem não há Tamiflu redentor?
Tentámos humildemente neste recital descobrir isso. Encontrar a essência das palavras, para lá da preocupação da rima, do ritmo, da métrica. Contrariando, até, a canção, os seus mais íntimos requebros, revelando (se é que isso é possível) o gesto indutor, a batuta emotiva que comanda, que determina, que lhe dá alma e sopro e melancólica identidade.

Sou, eu sei que sou terra
Terra agreste por lavrar
Silvestre monte maninho
Amora fruto sem tratar

Sou, eu sei que sou pedra
Pedra dura de talhar
Sou joga pedrada em aro
Calhau sem forma de engastar

(…)

Sou, eu sei que sou erva
Erva daninha a alastrar
Joio trovisco ameaça
Das ervas doces de enjoar

E, de quando em vez, (como resistir?), dando espaço à canção. Que as canções repetidas de Variações, são uma das boas homenagens que lhe podemos fazer.
















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alinhamento


1 - Olhei para trás – AF
2 - Linha-vida – GM
03 - A culpa é da vontade – FC
04 - Anjinho da guarda – LB

canção: Anjo da Guarda (NA)

05 - Amor de conserva – PP
06 - Perdi a memória – LB
07 - Canção do engate – FC
canção: Canção de Engate (NA)

08 - Deolinda de Jesus – GM
09 - Muda de Vida – AF
10 - Tu Aqui – DP
11 - É p’rá amanhã – GM
12 - Estou além – LB

canção: Estou Além (NA)

13 - Gelado de Verão – DP
14 - Já não sou quem eu era – PP
15 - Maria Albertina – GM
16 - Na lama – AF
17 - Não me consumas – PP
18 - O Corpo é que paga – DP
19 - Quero é viver – FC

canção: Quero é Viver (NA)

20 - Todos temos Amália na voz – LB
21 - Rugas – JR
22 - Toma o comprimido – GM
23 - Minha cara sem fronteiras – FC
24 - Quem feio ama – LB
25 - Erva daninha a alastrar – AF
26 - Sempre ausente – PP
27 - Adeus que me vou embora – LB

canção: Erva Daninha (NA)


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3 comentários:

sandra andrade disse...

merde

:)

Anónimo disse...

Olá amigos

Nao me foi possivel ir ao recital erva daninha de António Variações.
Ouvi da RUM a publicitar o evento.

Como sempre foi admirador deste cantor, gostava de ouvir/ver o que se passou ontem.
Sabem dizer se houve gravação deste evento? Está disponivel? Onde?

Saudacoes

CP

Sindicato de Poesia disse...

Lamento, mas não foi feita gravação. É uma boa sugestão.