15 de março de 2026

A BOCA CHEIA DE PALAVRAS

 A BOCA CHEIA DE PALAVRAS

um recital com a poesia de REGINA GUIMARAES

 

 

 


 

 

O Sindicato de Poesia apresentará, nos dias 14 de março, sábado, em plenários sindicais, a poesia de Regina Guimarães. Por demais conhecida no mundo literário português, Regina está profundamente ligada a Braga pela atividade que aqui desenvolveu, nomeadamente no âmbito teatral, com a Companhia de Teatro de Braga, para a qual escreveu, traduziu e trabalhou a dramaturgia de inúmeros espetáculos.

Hoje — desde há muito tempo, aliás — Regina Guimarães é, definitivamente, uma figura incontornável da poesia e da cultura portuguesas. O seu raio de ação artística não se limita ao ato de poetar. É também tradutora — e há tanto de criação nesse gesto —, dramaturga e autora de teatro; escreve guiões para cinema; cria textos para espetáculos de variedades; é poeta em inúmeros projetos musicais, integrando, em alguns deles, a própria formação performativa; é realizadora de cinema; é curadora de inúmeras iniciativas, sobretudo ligadas ao cinema, área em que continua a programar conversas e reflexões em torno dos filmes que mais lhe falam. Foi professora.

Regina Guimarães é tudo isso e muito mais: capaz de uma generosidade gigante que se oculta por detrás de uma máscara sorumbática, de traços sóbrios, corpo de sobriedade, seriedade e circunspecção. Tudo isto parece esconder (ou esconde mesmo) aquilo que nela reconhecemos de mais óbvio, mas que, talvez, nem sempre seja visível: a imagem incontornável da Liberdade.

Somando tudo o que faz, Regina Guimarães é, provavelmente, um dos maiores exemplos de Liberdade que temos o prazer de testemunhar neste país — neste mundo onde esse valor essencial é diariamente tolhido por pequenos gestos, pequenos receios, pequenos sentimentos que, lentamente, se transformam na fornalha de grandes medos e, onde tantas vezes, a opinião, tacitamente, se cala e se disfarça de comprazimento sorridente.

Regina Guimarães está nos antípodas de tudo isso. Diz o que tem a dizer, escreve o que tem a escrever, produz o que tem a produzir. Avança destemida, em relação à sua decisão, independentemente do que dela possa resultar. Artística, por certo. Mas na vida também. É, nesse sentido, uma espécie de bússola para onde olhamos quando temos incertezas, quando duvidamos da nossa própria percepção de espaço e liberdade. Olhamo-la na presença e na ausência. Ora lendo o que vai pensando sobre isto e sobre aquilo ou, na ausência, sobre o que pensamos que pensa.

Nesse sentido, regressando ao início, Regina Guimarães é um exemplo claro e maior de Liberdade. Ao pensarmos nela, pensamos na santidade da Liberdade — no quanto deveríamos colocar essa santa Liberdade num pedestal, na fachada da nossa vida com velinha e tudo a alumiar. Não é a única. Que bom para nós. Mas é uma dessas figurastutelares.

É por isso que queremos ir à casa da sua poesia, habitá-la o mais possível, vivê-la por dentro, tatuar a pele com as suas palavras e seguir vida adiante, iluminados por essa experiência, por essa informação, no corpo e por dentro dele.

O recital acontecerá numa casa companheira de Largo da Velha-a-Branca., no largo do mesmo nome, número cento e trinta e seis, até há pouco a sede dos trabalhadores dos correios para actividades culturais e de recreio.

A Velha-a-Branca é uma associação cultural com mais de vinte anos de vida. O Sindicato de Poesia esteve presente no primeiro edifício que a Velha-a-Branca utilizou para desenvolver as suas atividades: foi aí, num edifício há algum tempo desabitado e ainda sem condições, que realizou o recital DJ Beckett in the Houseenchendo todosos compartimentos com as palavras poéticas de Samuel e dando a ver o edifício quse estreava, mesmo velho e decrépito, a quem o visitava por esses dias.

Estivemos também no encerramento desse velho edifício, mais desgastado ainda, a chave na mão, dando voltas naquela fechadura que se abrira milhares de vezes para tantas actividades, rodando a chave no sentido contrário, no mesmo edifício que, sem obras que lhe acrescentassem segurança, foi sendo consumido pelo tempocomo todos os edifícios, como todos os corpos – vestindo a pele dAnjos, deixando naquelas paredes o perfume de uma poesia santa que ainda por lá deve perdurar

Enquanto a Velha procura uma nova casa, o Sindicato quer manter e alimentar esta relação antiga, avançando, neste momento, com este recital e esta precisa poesianuma vizinhança segura, em concreto nesta casa, companheira de Largo, da Velha.

De resto, são os cúmplices do costume. No recital estarão os habituais declamadores do Sindicato de Poesia, uns mais velhos, outros mais novos, em conluio com a Escola de Dança Arte Total. 

Haverá ainda convidados que, através da sua voz específica, querem estar com a poesia de Regina Guimarães, mas também com o Sindicato, e com a Velha, neste outro gesto de afirmação e culto da velha Liberdade.

O recital poderia chamar-se Santa Liberdade — e com carradas de razão. Poderia chamar-se Chocolates Regina, tantas são as pérolas doces e amargas que a escritora, por vezes furiosa, desencrava da garganta em forma de palavra. Poderia chamar-se Salvé Regina, porque de uma rainha se trata.

Mas vai chamar-se:

A BOCA CHEIA DE PALAVRAS

Um verso de um dos seus poemas. Porque será isso mesmo que irá acontecer: iremos com a boca cheia de palavras — apenas palavras, sem artifício algum, desarmados de outros truquesnada na mão nada na manga — encher a casa. Palavras que são pensamento, que são ação e que, sendo presente, são futuro.

 

A BOCA CHEIA DE PALAVRAS

 

um recital do sindicato de poesia

com poemas de REGINA GUIMARÃES

 

numa casa, companheira de Largo, da VELHA-A-BRANCA

no

Largo da Senhora-a-Branca, 136

 

sábado14 Marçoàs 18h30 e 22h00

 

entrada gratuita mas com marcação nos seguinte endereços

info@velha.org e/ou whatsapp 916 249 180

 

Um plenário-recital com a cumplicodade da Velha a Branca, descola de dança Arte Total e o apoio da RUM

 

 

selecção de poemas – Marta Catarino

direcção – António Durães

direcção de movimento – Gaby Barros

Cartaz – Vânia Kosta

 

com:

Ana Arqueiro/ António Durães

Ana Gabriela Macedo

Gaby Barros

Gaspar Machado

Inês Pires

Joana Teixeira

Joana Vilaverde

Manuela Martinez

Marta Catarino

Paulo Pereira

Paulo Sousa

+

Classe de dança da escola ARTE TOTAL

+

voz gravada para este específico efeito de Fernando Alves (Livro dos Mortos);

a voz gravada para este específico efeito de Manuela Azevedo (Infra Herói, dos CLÃ)

a voz gravada para este específico efeito de Daniel Pereira (subida aos céus, dos TRÊS TRISTES TIGRES)

+

a voz gravada de Ana Deus para este específico efeito (dos TRÊS TRISTES TIGRES)

+

a voz gravada para este específico efeito de Job Tomé (a arte de andar na rua, música de Fernando C Lapa)

e

a voz gravada de Regina Guimarães (na gravação com o Fred Ferreira)



https://www.rtp.pt/play/p15569/e914640/duas-de-prosa























8 de dezembro de 2025

TALVEZ SEJA NATAL E NÃO DEZEMBRO

 dia 8 de dezembro, na Livraria Centésima Página, 19h00

2 poemas e um conto de Natal, ditos por António Durães, Joana Vilaverde, João Catarino e Marta Catarino.


"Entremos, despojados, mas entremos.

Das mãos dadas talvez o fogo nasça, 

talvez seja Natal e não Dezembro, 

talvez universal a consoada."


David Mourão Ferreira









17 de novembro de 2025

ATÉ À ETERNIDADE

 



"ATÉ À ETERNIDADE", Espaço Mira, 12 de Setembro de 2025, 21h30

alinhamento
 
 ANJINHO DA GUARDA, António Variações 

ESTENDENDO ROUPA LAVADA, George Szirtes [mm]
A VISITA, Hans Magnus Enzensberger [jc]
GABRIEL, Adrienne Rich [gm]
ESCOLHIDO PELAS ESTRELAS, Zbigniew Herbert [jv]
PALHAÇADA, Wislawa Szymborska [gm]
ARDER, Jorge Boccanera [mc]
O ANJO DO DESESPERO, Heiner Müller [jc]
UM ANJO, Alexander Pushkin [gm]
O COMBATE COM O ANJO, Jacques Prévert [mc]
NA BIBLIOTECA, Charles Simic [jc]
UM ANJO NO PORTO, Jorge Sousa Braga [mm]
O ANJO PERPLEXO, Amalia Bautista [jc]
CANÇÃO DE LESTE, Álvaro Mutiz [jv]
PRIMEIRA ELEGIA DE DUÍNO (excerto), Rainer Maria Rilke [mc]
PARA SEMPRE, Emily Dickinson [gm]
UM ANJO, William Blake [mm]
QUANDO, Sophia de Mello Breyner [gm]
EXPLICAÇÃO DA ETERNIDADE, José Luís Peixoto [mc]
A ETERNIDADE, Arthur Rimbaud [jv]
O PEQUENO ANJO, Rabindranath Tagore [mm]

ANJINHO DA GUARDA, António Variações 

Se há uma eternidade, para além do espaço e do tempo, seremos a ela guiados pela poesia, através da voz dos anjos. O Sindicato de Poesia retoma o papel e os papéis desses anjos rebeldes, resplandecentes, que povoam o nosso imaginário e aqui se fazem visíveis. Com poemas que abordam as múltiplas visões de tantos poetas, seremos levados a refletir na eternidade guiados por estes terríveis anjos que não guardam, nem vigiam, mas calmamente desesperam. Serão eles a acompanhar-nos "até à eternidade".

selecção de textos
eduardo jorge madureira e marta catarino

textos ditos por 
gaspar machado, joana vilaverde, joão catarino, manuela martinez e marta catarino 

intervenção plástica (asas inventadas) 
vânia kosta 

cartaz 
marta catarino 




14 de novembro de 2025

SOPHIA / SENA - cartas e poemas

Ambos nascidos em novembro de 1919, Sophia de Mello Breyner e Jorge de Sena foram dois dos mais importantes poetas portugueses do século XX. Unia-os também uma grande amizade, da qual resultaram 18 anos de correspondência num país dividido, perdido e ausente. Neste recital o Sindicato de Poesia irá cruzar estas cartas com os poemas que descrevem um Portugal que já foi e que ainda, possivelmente, será.

 

Textos lidos por Ana Gabriela Macedo, António Durães, Eduardo Jorge Madureira, Eugénia Brito, Gaspar Machado e Marta Catarino













1 de julho de 2025

ENCONTRAMO-NOS NO FINAL JUNTO À PALAVRA ÍNDICE

nota: recital incluido no festival 30 HORAS 30 ANOS DO GRANDE PRÉMIO DE LITERATURA DA dst

Informação para folha de sala de dia 27 junho 23h00 e 28 junho 11h00. 


Recital parcialmente realizado na Gala de Atribuição do Grande Prémio dst, no dia 28 Junho às 21h00 no Teatro Circo, Braga.

 

Nome do recital:

 

ENCONTRAMO-NOS NO FINAL JUNTO À PALAVRA ÍNDICE

 

Texto introdutório:

 

Há muito tempo estivemos num café (no Porto, para que não haja dúvidas) integrados numa mostra de poesia oral, a dramaticamente chamada spokenword, sem aviso prévio. Fomos como se fossemos verdadeiros okupas mas sem o romantismo da ocupação, ocupação poética bem entendido, e foi pavoroso. Os frequentadores do tal café, não sabendo o que se iria ali passar (nem o que, entretanto, já estava a acontecer), embora estranhando, não abrandaram o seu desejo de convivialidade, esbracejando ainda mais veementemente, forçando a comunicação ruidosa, tudo isto a uma velocidade surpreendente, não deixando que os sindicalistas destacados vingassem e fizessem florescer nos jardins íntimos dos que, vá lá saber-se como, tinham ido ali para aquela precisa função de espectar outras poesias. Mesmo os empregados, insensíveis à palavra poética, berravam o mais alto que podiam, os pedidos que chegavam das mesas que iam percorrendo com a quinta engatilhada: “sai um cimbalino escaldado para a mesa sete”; “sai uma tosta mista com manteiga para o sr dr”... etc. Na sala ao lado, ou em baixo, com estridência israelita, estoiravam umas quantas bolas de bilhar que acertavam milimetricamente em cada pausa que era construída, destruindo o sentido e a alma do poema, se é que naquele momento ele ainda sobrevivia.

Enfim, um pavor.

Desde esse fatídico recital, a que habitualmente chamamos “plenário”, decidimos que nunca mais faríamos tal coisa. A não ser, de forma organizada, uma ou outra vez – principalmente n’A Brasileira, nossos cúmplices em algumas diatribes poéticas.

Mas agora os tempos são outros. Desde há uns anos que os cafés, mormente estes, são casa de livros. Os livros habitam os cafés de forma permanente, refugiam-se em estantes construídas para que eles as habitem naquele preciso lugar, ouvem as conversas dos que os frequentam, oferecem-se a leituras longínquas ou esparsas, deixam que as suas páginas impressas sejam percorridas pelos olhos dengosos dos que também consomem café. Hoje, são os livros que nos abrem as portas, que nos oferecem colo, meia hora de convívio silábico, à boleia do prémio de que se comemoram os primeiros trinta anos.

 

Não há muita poesia nesta selecção que hoje vos propomos. Porque quisemos seguir livremente o mapa dos premiados. E se há poetas entre eles, também os há contistas, romancistas, dramaturgos, etc. E não se estranhe que a autores premiados não correspondam textos de obras premiadas. Por exemplo: não será da árvore premiada de José Manuel Mendes, nosso cúmplice desde sempre, que sairá o fruto a consumir. Achamos ser mais interessante mostrar-vos um poema seu do último livro abocanhado pela censura no Portugal do 24 de abril. Outro exemplo: de Jacinto Lucas Pires não selecionámos um pedaço do seu excelente O Verdadeiro Actor (sem “c”), mas juntámos dois pedaços de falas da personagem Vendedor do não menos excelente Arranha Céus, peça de teatro; epor aí adiante. Palavras que nos parecem que convivem bem em cafés.

Esperamos que gostem.

Depois ENCONTRAMO-NOS NO FINAL JUNTO À PALAVRA ÍNDICE e conversamos. Que acham?

 

Apresentação do Sindicato:

 

O SINDICATO DE POESIA é uma associação cultural de Braga, fundada por um grupo de cidadãos com vontade de intervir artística e culturalmente na cidade, que se dedica à divulgação de poesia através da sua leitura mais ou menos encenada. Desde as sessões “Para acabar de vez com os estudos”, que decorreram em 1996 na sede do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio e Serviços do Distrito de Braga até hoje, várias centenas de pessoas participaram desta ideia da poesia dita e partilhada, em muitas centenas de recitais, principalmente em Braga, mas também no(s) restante(s) país(es), de Santiago de Compostela a Faro.

 

O Sindicato contou  com a colaboração das mais variadas instituições nestasaventuras: a Biblioteca Pública de Braga (desde sempre), a Direcção Geral das Artes, a Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, a Universidade do Minho, Teatro do Campo Alegre, Companhia de Teatro de Braga, Estaleiro Cultural Velha-a-Branca, Junta de Freguesia de S.Victor, Junta de Freguesia da , Coro Académico da Universidade do Minho, Teatro Universitário do Minho, CensuraPrévia, Rádio Universitária do Minho, a Universidade de Santiago de Compostela, a Direcção Regional de Cultura do Norte, assim como com profissionais de reconhecido mérito como Afonso Fonseca, Natália Luiza, João Reis, João Lóio, Cristinana Oliveira, Ana Vieira Leite, Ana Luísa Amaral, Luís Assis, Luís Miguel Cintra, Márcia Breia, Sandra Faleiro, Fernando Lapa, Miguel Carneiro, Paulo Castro, Almeno Gonçalves, Nuno M. Cardoso, Dinarte Branco, entre muitos outros.

 

Informação adicional:

 

Poemas e prosas ditos por:

Ana Arqueiro, Ana Gabriela Macedo, António Durães, Dalila Monteiro, Gaspar Machado, Inês Pires, Joana Vilaverde, Manuela Martinez, Marta Catarino

 

Alinhamento

SIGAM O GUARDA-CHUVA VERDE, João Luís Barreto Guimarães (AD)

 

O AMOR É, Nuno Júdice (MM)

 

CANTAR DE AMIGO, José Manuel Mendes (AGM)

 

NINGUÉM MEU AMOR, Sebastião Alba (DM)

NESSE TEMPO EU ACREDITAVA QUE VIVIAM ANJOS, Maria Ondina Braga (GM+AA)

 

EU UMA VEZ TIVE UMA NAMORADA, Jacinto Lucas Pires (MC)

 

AS CORES QUE MUDAM, Firmino Mendes (JV)

 

BARCO, Gastão Cruz (IP)

 

O CARTAZ DO SENHOR TÓ, Lídia Jorge (AD+IP+JV+MM+GM)

 

CATILINÁRIA, Luísa Costa Gomes (AGM+AA+DM+MC+AD


HÁ MUITO TEMPO QUE NÃO ME CALHA UM CAFÉ PELA CHÁVENA ESQUINADA, João Luís Barreto Guimarães (AD)